PRETO VELHO


Quando falamos em Preto Velho, nos vem à mente quatro palavras básicas: calma, sabedoria, humildade e caridade.

Voltando no tempo, durante o período colonial brasileiro, as grandes potencias européias da época subjugaram e escravizaram negros vindos de diversas nações africanas, transformando-os em mercadorias, seres sem alma, apenas objetos de venda de trabalho.

Nesse mercado, os traficantes negreiros costumavam se utilizar de maneiras diversas para conseguir arrebanhar sua “mercadoria”: chegavam surpreendendo a todos na tribo, separavam, é claro, sempre os mais jovens e fortes. Costumavam buscar os negros nas regiões Oeste, Centro-Oeste, Nordeste e Sul da África. Trocavam por outras mercadorias, como espelhos, facas e bebidas, os que eram cativos oriundos de tribos vencidas em guerra e trazendo como escravos os que eram vencidos.

No Brasil, em principio os escravos negros chegaram pelo Nordeste; mais tarde, também pelo Rio de Janeiro. Os primeiros a chegarem foram os Bantos, Cabindos, Sudaneses, Iorubas, Minas e Malés.

Para a África, o trafico negreiro custou caro: em quatro séculos foram escravizados e mortos cerca de 75 MILHÕES de pessoas, basicamente a parte mais selecionada da população.

Esses negros, que foram brutalmente arrancados de sua terra, separados de suas famílias, passando por terríveis privações, trabalharam quase que ininterruptamente nas grandes fazendas de açúcar da colônia. O trabalho era tão árduo, que um negro escravo no Brasil não chegava a durar dez anos.

Em troca de tanto esforço, nada recebiam, a não serem trapos para se vestir e pão para comer, quando não eram terrivelmente açoitados nos troncos pelas tentativas de fuga e insubordinação aos senhores. Muitas vezes, reagiam a tudo suicidando-se, evitando a reprodução, matando feitores, capitães-do-mato e senhores de engenho.

O que restava ao negro africano escravo no Brasil era sua fé, e era em seus cultos que ela resistia, como um ritual de liberdade, protesto a reação contra a opressão do branco. As danças e cânticos eram a única forma que tinham para extravasar e aliviar a dor da escravidão.

Mas, apesar de toda a revolta, havia também os que se adaptavam mais facilmente à nova situação. Esses recebiam tratamento diferenciado e exerciam tarefas como reprodutores, caldeireiros ou carpinteiros. Também trabalhavam na Casa Grande, eram os chamados “escravos domésticos”. Outros, ainda, conquistavam a alforria através de seus senhores ou das leis (Sexagenário, Ventre Livre e Lei Áurea). Com isso, foram pouco a pouco conseguindo envelhecer e constituir seu culto aos Orixás e antepassados, tornando-se referencia para mais jovens, ensinando-lhes os costumes da Mãe África. Assim, através do sincretismo, conseguiram preservar sua cultura e religião.
                      

ATUAÇÃO DOS PRETOS VELHOS


Esses são os Pretos Velhos da Umbanda, que em suas giras nos terreiros representam a força, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referencia para aqueles que os procuram, curando, ensinando e educando, aos encarnados e desencarnados necessitados de luz e de um caminho a trilhar.














Um Preto Velho representa a humildade, jamais demonstrando qualquer tipo de sentimento de vingança
contra as atrocidades e humilhações sofridas no passado. Pretos Velhos ajudam a todos, independente de cor, sexo ou religião.

Em sua totalidade, não se pode afirmar que as entidades que se apresentam nas giras são os mesmos Pretos Velhos escravos. Muitos passaram por ciclos reencarnatórios e podem ter sido em suas vidas anteriores médicos ou filósofos, ricos ou pobres, e, para cumprir sua missão espiritual e ajudar aos necessitados, escolheram incorporar a forma de Pretos Velhos. Outros, nem negros foram, mas também escolheram essa forma de apresentação.(grifo nosso)

Muitos podem estar perguntando: “Mas então os Pretos Velhos não Pretos Velhos?”. A explicação é simples: todo espírito que já alcançou determinado grau de evolução tem a capacidade de descer sob qualquer forma passada, pois é energia pura, a forma é apenas uma conseqüência da missão que vem cumprir na Terra. Podem também, em locais diferentes, se apresentarem como médicos, Caboclos ou até Exu, depende do trabalho a que vêm realizar. Em alguns casos, se tiverem autorização, eles mesmos nos dizem quem são.
                   

MENSAGENS DE PRETO VELHO


A principal cararacterística de um Preto Velho é a de conselheiro; para alguns, são como psicólogos, amigos e confidentes, para outros, são os que lutam contra o mal com suas mirongas, banhos de ervas, pontos riscados, sempre protegidos pelos Exus de Lei.

A figura de um Preto Velho representa a paciência e a calma que todos sempre devemos ter para evoluir espiritualmente, essa é a sua principal mensagem.

Certas pessoa costumam procurar um Preto Velho apenas para resolver problemas materiais, usando os trabalhos na Umbanda para beneficio próprio, esquecendo de ajudar ao próximo. Quanto a isso, esses maravilhosos Espíritos de Luz deixam sempre uma importante lição, a de que essas pessoas, preocupadas apenas consigo próprias, são escravas do próprio egoísmo, mas sempre procuram ajudá-las brincando de “pedir obrigações”. Mas em meio a essas pessoas, sempre haverá os que podem ser aproveitados, que em pouco tempo vestirão suas roupas brancas, descalçarão seus pés e farão parte dos trabalhos de caridade do terreiro. Essa é a sabedoria do Preto Velho, saber lapidar o que há de bom em cada um de nós.

Pretos Velhos levam a força de Zambi a todos que buscam aprender a encontrar sua fé, sem julgar ou colocar pecado em ninguém, mostrando que somente o amor a Deus, ao próximo e a si mesmo, poderá mudar sua vida e seu processo de ciclos reencarnatórios, aliviando os sofrimentos cármicos e elevando o espírito. Assim fortalecem a todos espiritualmente, aliviando o peso do fardo de cada um, e cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente, de acordo com a forma de encarar os acontecimentos de sua vida: “Cada um colhe o que plantou. Se plantares vento, colherás tempestade. Mas, se entender que lutando poderá transformar seu sofrimento em alegria, verá que deve tomar consciência de seu passado, aprendendo com os erros, galgando o crescimento e a felicidade futura. Nunca seja egoísta, sempre passe aos outros aquilo que aprende. Tudo que receber de graça, deverá dar também de graça. Só na fé, no amor e na caridade, poderá encontrar seu caminho interior, a luz e Deus” (Pai Cipriano)
                 

APRESENTAÇÃO DA ENTIDADE


O termo “Velho, Vovô e Vovó, são usados para mostrar sua experiência, pois, quando pensamos em alguém mais velho, entendemos que este já viveu muito mais tempo do que nós, com coisas para nos passar e historias para nos contar através de sua longa experiência. No mundo espiritual isso é bastante parecido, e a característica da entidade Preto Velho é sempre o conselho.

Suas vestes são bem simples e não necessitam de muitos apetrechos para trabalhar, apenas da concentração e atenção de seu médium durante a consulta. Costumam usar cachimbo, lenços, toalhas e algumas vezes fumo de corda ou cigarro de palha.

joao2Sua incorporação não necessita de dançar ou pular muito. A vibração começa com um “peso” nas costas, fazendo com que o médium incline o corpo para frente, sempre com os pés bem fixos no chão. Andam apenas para as saudações ao Atabaque, Conga e Babalorixá. Atendem sentados praticando sua caridade. Raras às vezes alguns mantêm-se em pé.

Sua simplicidade se manifesta em sua maneira de ser e de falar, sempre usando um vocabulário simples. A maneira carregada com que falam é para mostrar que são bastante antigos.

A Linha de Preto Velho possui suas características gerais, mas cada médium tem uma coroa diferente, determinando as diferenças entre os Pretos Velhos.

As diferenças ocorrem porque cada Preto Velho trabalha em nome de um Orixá, utilizando a essência de cada força da natureza em sua atividade. Essas diferenças são facilmente percebidas na forma de incorporação.

Retirado da Revista Espiritual de Umbanda (Edição Especial 1 Editora Escala)- Pesquisa e texto: Virgínia Rodrigues
               



“PRETO-VELHO” – “A ENTIDADE MAIS CARISMÁTICA DA UMBANDA”
Com certeza a mais carismática entidade que povoa os terreiros de Umbanda. A mística do Preto Velho é fruto de condições e circunstâncias únicas em terras brasileiras.
A sofrida vida dos escravos, trazidos da África, já bastante documentada e comentada, fazia com que os indivíduos, em função do penoso e extenuante trabalho a que eram submetidos, somado aos maus tratos, vivessem, em média, somente sete anos após sua chegada ao Brasil.

As mudanças no panorama econômico brasileiro, como a decadência do ciclo da cana-de-açúcar e a redução da atividade mineradora, fizeram com que uma grande leva de escravos migrados, para os centros urbanos, pudesse levar uma vida mais amena e conseguisse ter uma expectativa de vida mais longa.

Mesmo assim as condições de salubridade, nesta época, não favoreciam a longevidade.
Então surge a figura daquele escravo que, apesar das suas condições de vida, alcança idade avançada, personificando o patriarca da raça, cuja sapiência parece lhe ser conferida pelos cabelos brancos.

Nas sociedades tradicionais, a figura do idoso é um símbolo da experiência de vida e um pilar da cultura do grupo a que pertence; aquele que deve ser ouvido e cujos conselhos devem ser seguidos.

Vemos, portanto, o aparecimento de uma entidade cuja linha de trabalho é marcada pela tolerância, rústica simplicidade e um profundo sentimento de caridade. Só quem sofreu na carne as desventuras da vida, pode entender ou se aproximar da compreensão do sofrimento alheio, porque é possível responder a toda violência sofrida, com amor, sem nenhum sentimento revanchista ou de vingança.

Característica típica da raça africana é o apego à vida, alegria que se manifesta em musicalidade e uma sabedoria ancestral quase biológica, que transparece na religião.

A forma como se apresenta nos terreiros de Umbanda, através dos médiuns, é como uma pessoa muito idosa, curvada pelos anos. às vezes apoiado em uma bengala, com uma voz meiga, algo paternal que atrai a confiança e simpatia de quem ouve.
Com movimentos lentos, típicos de um ancião, geralmente senta-se em um pequeno banquinho ou num pedaço de tronco, fumando seu cachimbo de barro ou um cigarro de palha, queimando seu fumo de rolo.

Gosta de beber desde a cachaça branquinha até o vinho tinto bem forte ou um café amargo. Mas uma de suas bebidas favoritas é a polpa do coco verde, triturada no pilão e misturada com um pouco de pinga.

As histórias que ouvimos a respeito dos Pretos Velhos, são bastante variadas e pitorescas.

Dizem que em vida, foram grandes sacerdotes do culto dos Orixás; que viveram muitos anos devido a seus conhecimentos mágicos, alcançaram a sabedoria e usam estes conhecimentos misturados a um pouco de bruxaria, para os trabalhos de cura e descarrego.

Porém, algumas histórias nos dizem que eles foram homens comuns, que alcançaram a redenção espiritual através dos suplícios do cativeiro. A sua tolerância ao martírio, sem manifestar revolta ou ódio pelos seus algozes e o profundo amor indiscriminado pela humanidade, os ascendeu a um patamar de mestres espirituais.

Outros nos contam que, em vida terrena, os Pretos Velhos eram homens predestinados, encarnados para assegurar um lenitivo ao sofrimento dos escravos, e que, por sua bondade e sabedoria, cativaram a amizade até dos senhores brancos, a quem também acudia com conselhos e curas. Daí a sua relativa liberdade para atender, com suas curas, ao povo pobre e sua misteriosa longevidade que lhe proporcionava a fama de sábio e feiticeiro por viver muito mais que a maioria dos escravos comuns.

A idade avançada de um escravo, já era por si própria, digna de notoriedade, por fugir, muito, da realidade do cativeiro. Por isso, aquele elemento devia ter alguma coisa diferente.

Preto Velho também gosta de beber, em seu coité, uma mistura de folhas de saião, trituradas com mel e cachaça.

Um dos pratos típicos servido nas festas ou como oferenda ao Preto Velho, e o mais brasileiro de todos, é feijoada. Comida nascida no Brasil é o resultado de circunstâncias e do gênio da raça negra.

O feijão preto era o mais básico e barato alimento na senzala. Plantado, colhido e preparado pelos escravos, na própria fazenda em que trabalhavam, era, às vezes, enriquecido pelas sobras de carne da cozinha da casa grande (geralmente porco). As partes que o senhor branco não comia, como os pés, a orelha, a garganta, o rabo, o focinho, etc., iam direto para o tacho coletivo e assim nascia a feijoada.

A falange dos Pretos Velhos guarda sinais particulares e individuais da origem dos elementos que a compõem. Antigos escravos, estes ainda conservam certas designações que denunciam de qual nação ou tribo africana eram oriundos. Assim encontramos Pai Tião D’Angola, Vovó Maria Conga, Vovô Cambinda, Pai Joaquim de Aruanda, Pai Zeca da Candonga, todos com uma característica comum: a bondade e a doçura com que tratam os fiéis que os consultam, procurando um alívio para suas aflições.
Grandes conhecedores de magia, dos feitiços de Exú e das propriedades curativas das ervas, os Pretos Velhos usam também a fumaça de seus cachimbos, como os pagés e caboclos, para dissolver as cargas e energias negativas que envolvem as pessoas.
Trabalham com passes magnetizantes e indicam banhos de ervas para seus consulentes.
Porém uma de suas características mais marcantes é sua força psicológica. Sustentada pelo conhecimento espiritual, esta entidade surpreende e encanta.

Ensinando, com seu exemplo, a resignação aos golpes kármicos do destino.
Conhecido como o psicólogo dos pobres, o Preto Velho, embasado em sua rica experiência de vida e transpirando a sabedoria da idade, sabe, como ninguém, ouvir e entender os problemas de seus fiéis.

O grande segredo desta virtude está no perdão aos sofrimentos recebidos. Perdão este, sem discurso demagógico, que vem de um sentimento puro de desapego e humildade. Humildade. Talvez seja esta a palavra chave do carisma do Preto Velho.

A linha dos Pretos Velhos está dentro da “falange das almas”. Seres desencarnados que alcançaram uma luz espiritual e retornam, através dos médiuns, ao plano terreno, numa missão de caridade, como que resgatando uma dívida espiritual, ajudando os necessitados, tanto na parte física, com passes magnéticos, defumações e indicando ervas curativas, como na psicológica, com conselhos e amparo afetivo, praticando a bondade incondicional que lhes é inerente.

Estas entidades, dizem alguns, compõem uma linha ligada ao Orixá Omolú, voltada para a cura e lenitivo nas aflições dos pobres.

As contas pretas e brancas que formam a sua guia, denunciam uma similaridade de natureza com este Orixá – Omulú/Obaluaiê – ligado à terra e às doenças, dela provenientes, além do semelhante histórico de sofrimentos vividos.

Estes guias, normalmente, incorporam em seus médiuns, atendendo ao chamamento dos pontos cantados em sua homenagem, nos terreiros, mas podem também “baixar” pelo magnetismo de uma oração ou de uma concentração mental dos fiéis.

Dependendo da pureza ou da mestiçagem dos rituais de um centro espírita, podem ser usados atabaques, com seu toque característico da Umbanda, ou apenas cantos marcados pelo bater de palmas, como verificamos nos terreiros mais tradicionais que ainda conservam a liturgia simples e despojada dos primeiros terreiros de Umbanda.

A sua maneira característica de incorporação, com o dorso curvado, de andar lento e inseguro, procurando apoio numa bengala, indicam, instantaneamente, a natureza da entidade. Porém dizem alguns estudiosos que este comportamento é apenas uma faceta cultural, pois estas entidades, já não tendo o corpo material próprio, não poderiam se movimentar aparentando limitações físicas, que na maioria das vezes nem sequer são oriundas dos médiuns.

O seu discurso nas preleções e conselhos transpiram uma mensagem cristã de perdão e compaixão, evidenciando a influência dessa religião com as citações sobre Jesus e os santos católicos.

Uma perfeita mistura da moral cristã, com os costumes africanos e o conhecimento da medicina natural, com práticas de pajelança.

As guias usadas nos terreiros vêm da direta influência africana, porém, uma das guias preferidas pelos Pretos Velhos, é formada pelas contas de uma semente vegetal que varia do branco leitoso ao negro. Conhecida, popularmente, como lágrimas de Nossa Senhora, são extraídas de uma planta da família das gramíneas, entrelaçadas com dentes de porco selvagem, à moda indígena, crucifixos e outros fetiches africanos, como a figa de guiné, revelando a miscigenação cultural / religiosa brasileira.

Por pertencer à falange de entidades desencarnadas ou “linha das almas”, os Pretos Velhos sofrem uma discriminação nos terreiros afro-brasileiros mais tradicionais de Candomblé. Porém, apesar de não figurarem no rol exclusivista dos Orixás africanos, os Pretos Velhos mantêm certo prestígio, não oficial, nos corações das pessoas que pertencem a cultos mais puristas.

Não raro vemos membros de Candomblés, muito exclusivistas, se renderem à docilidade e ao carisma desta entidade.

Talvez, devido aos laços culturais e étnicos que não podem negar e, também, por uma série de misteriosas histórias ouvidas, de que muitas dessas entidades foram, em vida, iniciados no culto dos Orixás. Muitos morreram sem ter quem lhes fizessem os ritos funerais que os separaria dos seus Orixás que foram assentados em suas cabeças e, portanto, estão indissoluvelmente ligados, no plano astral, ao ambiente mágico dos ancestrais de uma nação.

Devido ao seu modo peculiar de falar, com erros de gramática e concordância e com expressões roceiras, que demonstra a falta de instrução formal, os Pretos Velhos são menosprezados por alguns, como espíritos atrasados e de pouca luz. Porém seus defensores argumentam que a exatidão do português e o lirismo das palavras não indicam a elevação espiritual de ninguém. Sustentam que grandes vultos da história da humanidade, que possuíam uma retórica exemplar e uma personalidade magnética, foram grandes genocidas, como Hitler e tantos outros e que, se pudessem dirigir alguma mensagem mediúnica poderiam parecer espíritos bastante iluminados.

A qualidade da mensagem espiritual está no conteúdo, na compaixão que transparece nos atos e não na forma mecânica de sua construção.

Estas entidades, verdadeiros psicólogos, que falam a língua dos pobres e lhes tocam o coração, são grandes curadores no plano físico e espiritual, usando seu conhecimento fototerápico com defumações e banhos de limpeza astral, são mais eficientes em sua caridade do que os discursos filosóficos de uma intelectualidade distante da realidade.
Quando falamos dessa grande falange, referimo-nos também às entidades do gênero feminino, que povoam os terreiros com sua graça e candura. As Pretas Velhas, Vovó Maria Conga, Mãe Selma da Caconde, Tia Anastácia Cambinda, Mãe Rosa da Bahia e muitas outras.

A mesma história, vivida pelo gênero masculino, encontramos também entre estas entidades que passaram pelas mesmas agruras e conservaram em seu íntimo a bondade e o perdão.

As manifestações das Pretas Velhas seguem características semelhantes às dos Pretos Velhos.

O seu modo de incorporação, com uma postura curvada, o andar dificultoso e o gosto pelo cachimbo de barro com fumo de rolo.

Assim as Pretas Velhas, da Umbanda, são um referência de resignação e desprendimento, erradicando os sentimentos de raiva e ressentimento que poderiam advir das humilhações e torturas sofridas pelo seu povo no passado.

A condição do negro, após a escravidão, não mudou muito. Apesar disso, a postura solidária e mansa dessas entidades, tem sido um baluarte na valorização da cultura afro-brasileira, superando a estigmatição social de inferioridade, como um exemplo da grandeza espiritual do povo africano, que, apesar das atrocidades sofridas, soube semear exemplos de amor e caridade, exemplificando com suas vidas, a força da religião que souberam preservar.

Carinhosamente, também chamados de pai preto, estes guias ensinam uma importante lição de humildade e resignação diante das adversidades da vida, sem perder a alegria e o bom humor. É comum ouvir, dos mesmos, observações jocosas a respeito dos problemas. Simplificando o que parecia complicado, dando esperanças para fortalecer psicologicamente seu consulente, porque sabe que se fraquejarmos na lida da vida, os problemas se tornam maiores e não suportamos o fardo.

A grande lição que ensinam estas entidades é que colhemos o que plantamos. E esta é uma grande oportunidade para rever os erros cometidos, tomar consciência da nossa responsabilidade por nós mesmos na busca da felicidade.

A característica interessante é a forma descompromissada desta prática espiritual com o formalismo e austeridade presente em outras religiões. O adágio popular de que os velhos se parecem com crianças, tem um profundo senso prático no trabalho dos Pretos Velhos.

A informalidade e humildade destas entidades fazem os fiéis se sentirem descontraídos, como se estivessem na presença de um membro da família ou um velho amigo mais sábio, que lhes atende e aconselha falando francamente, procurando ajudar a resolver seus problemas.

Uma antiga história contada nos terreiros de Umbanda, fala de um escravo, cativo em uma fazenda de cana-de-açúcar no Nordeste, que desde que chegara ao Brasil, parecia ser predestinado à uma missão espiritual.

Missão esta, diziam, lhe ter sido outorgada por Oxalá. Apesar da dura vida no cativeiro, nunca se revoltou com o destino.

Grande conhecedor das ervas curativas e das mirongas de sua terra natal, pois fora um sacerdote iniciado no culto dos Orixás, tratava dos outros escravos, minimizando seus sofrimentos. A fama de seu trabalho de caridade chegou até a casa grande e passou também a assistir aos senhores brancos, sem nenhum traço de ressentimento.

Passou a ser chamado carinhosamente, por todos, de Pai Preto e passou a vida divulgando a prática da bondade incondicional.

Quando já estava velho, com quase 90 anos de idade, sua história chegou aos ouvidos de padres missionários, que, zelosos de sua catequese, decidiram ser Pai Preto um feiticeiro pagão que deveria morrer para servir de exemplo a quem ousasse interferir nos ensinamentos da Santa Igreja Católica.

Foi então dada a ordem para a sua execução. Porém até os senhores de engenho, que também muito lhe deviam por suas curas, resolveram burlar a ordem e esconder Pai Preto em local seguro, onde pudesse continuar a lhes prestar serviços. Mas a obstinação e a consciência de sua missão fizeram Pai Preto prosseguir, sem medo. Este continuava a trabalhar, em seu corpo espiritual.

Então as autoridades religiosas enviaram outra ordem: o “feiticeiro” devia ser desenterrado e sua cabeça separada do corpo e enterrada bem longe para que seus feitiços cessassem.

Desta vez, temerosos com as possíveis conseqüências da desobediência, seus amos resolveram matá-lo e fugir de complicações.

Assim, beirando os noventa anos, este ancião deixa o plano físico e começa uma nova missão no plano astral. Através dos médiuns que lhes servem de veículo, continua o trabalho de caridade e ajuda nos terreiros de Umbanda.

Afirmam outros que o verdadeiro nome de Pai Preto era Jeremias e que hoje é saudado como Pai Jeremias do Cruzeiro.

Toda a liturgia aparentemente caótica, nas incorporações do Preto Velho, demonstram um quadro clássico da Umbanda. Os fiéis, ignorando o que seus olhos vêem, enxergam não o médium, mas um velhinho negro alquebrado pela idade e pela vida, usando às vezes um chapéu de palha, outras um pano enrolado na cabeça, com um galho de arruda pendurado atrás da orelha, apoiado numa bengala, fumando um cachimbo ou um charuto, rindo e bebendo no seu coité de casca de coco, até café amargo, bebida que muito aprecia, e, por vezes mastigando uma rapadura.

É quase um membro da família, aquele vovô sábio e bondoso que todos gostariam de ter.

É quando todas as barreiras caem e as pessoas entregam, aos seus ouvidos pacientes, suas histórias e mazelas, sem nenhum pudor de confessar fracassos ou desilusões. Por que não se sentem falando a um estranho, mas a alguém que parece conhecê-los desde o início de suas vidas.

Usa uma vestimenta simples e branca, típica dos praticantes da Umbanda, lembrando a pureza de sentimentos e o vínculo simbólico com Oxalá, Pai criador dos homens e seu enorme amor pela humanidade.

Antonio Basílio Filho – Ogan Basílio





CATIVEIRO DA ALMA

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CATIVEIRO DA ALMA

Cativeiro. Palavra difícil, essa.

Muitas vezes meus filhos julgam que o cativeiro é somente aquele em que os homens, geralmente os brancos, subjugavam negros e a eles impingiam toda sorte de sofrimento, de acordo com o mando do senhor dos escravos.

Quanto engano.

Há tantas formas de cativeiro…

O jugo que o homem impõe sobre o outro, tentando oprimir as consciências, espalhando a infelicidade dentro dos corações. O cativeiro das idéias, quando o ser se faz escravo de certos pensamentos, já ultrapassados, ou mesmo das próprias idéias, que nem sempre dignificam quem está com a razão.

Existe a escravidão de um povo, de uma raça, de uma comunidade, de uma família ou de um indivíduo, quando se recusa a seguir o progresso da vida e estaciona no tempo. Mas há também a escravidão daqueles que se julgam sábios, que repetem coisas belas filosofias copiadas de outros e que são incapazes de realizar algo em benefício próprio, como a transformação íntima de suas tendências, seus costumes e idéias, pois se acham escravos de si mesmos.

Na verdade, o cativeiro da escravidão pode ter passado. No entanto, quem sabe Isabel, a princesa, tenha apenas aberto um caminho para que os homens não mais continuassem cativos de seus modismos, medos, ânsias e angústias; de sua pequenez sem sentido?

É preciso que os meus filhos se encarem no espelho. Não naquele espelho no qual costumam olhar-se pela manhã, mas no espelho do eu, na própria alma. Observar se não estão com grilhões atados na mente, na alma ou no coração.

E preciso liberdade. Mas liberdade não é o resultado de um decreto ou de uma assinatura em uma folha de papel. A verdadeira libertação é a da alma, que poderá um dia voar livre como as andorinhas no céu de sua própria vida. Sem grilhões, sem cordas, sem muletas.

É preciso voar e voar alto, dentro de si mesmo.

PAI JOÃO DE ARUANDA
Retirado do Livro: SABEDORIA DE PRETO-VELHO – ROBSON PINHEIRO





Preto-velho na Umbanda



Preto-velho na Umbanda, são espíritos que se apresentam em corpo fluídico de velhos africanos que viveram nas senzalas, majoritariamente como escravos que morreram no tronco ou de velhice, e que adoram contar as histórias do tempo do cativeiro. Sábios, ternos e pacientes, dão o amor, a fé e a esperança aos “seus filhos”.

São entidades desencarnadas que tiveram pela sua idade avançada, o poder e o segredo de viver longamente através da sua sabedoria, apesar da rudeza do cativeiro demonstram fé para suportar as amarguras da vida, conseqüentemente são espíritos guias de elevada sabedoria geralmente ligados à Confraria da Estrela Azulada dentro da Doutrina Umbandista do Tríplice Caminho ( AUMBANDHAM – alegria e pureza + fortaleza e atividade + sabedoria e humildade), trazendo esperança e quietude aos anseios da consulência que os procuram para amenizar suas dores, ligados a vibração de Omolu, são mandingueiros poderosos, com seu olhar prescrutador sentado em seu banquinho, fumando seu cachimbo, benzendo com seu ramo de arruda,rezando com seu terço e aspergindo sua água fluidificada, demandam contra o baixo astral e suas baforadas são para limpeza e harmonização das vibrações de seus médiuns e de consulentes. Muitas vezes se utilizam de outros benzimentos, como os utilizados pelo Pai José de Angola, que se utiliza de um preparado de “guiné” (pedaços de caule em infusão com cachaça) que coloca nas mãos dos consulentes e solicita que os mesmos passem na testa e nuca, enquanto fazem os seus pedidos mentalmente; utiliza-se também de vinho moscatel, com o que constantemente brinda com seus “filhos” em nome da vitória que está por vir.

São os Mestres da sabedoria e da humildade. Através de suas várias experiências, em inúmeras vidas, entenderam que somente o Amor constrói e une a todos, que a matéria nos permite existir e vivenciar fatos e sensações, mas que a mesma não existe por si só, nós é que a criamos para estas experiências, e que a realidade é o espírito. Com humildade, apesar de imensa sabedoria, nos auxiliam nesta busca, com conselhos e vibrações de amor incondicional. Também são Mestres dos elementos da natureza, a qual utilizam em seus benzimentos.

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Os Pretos Velhos : Os espíritos da humildade, sabedoria e paciência.

Os Pretos Velhos são entidades cultuadas pelas religiões afro-brasileiras, em especial a Umbanda. Nos trabalhos espirituais desta religião, os médiuns encorporam entidades que possuem níveis de evolução e arquétipos próprios. Estas se dividem em três níveis:

    As Crianças – chamadas eres, ou ibejis, representam a pureza, a inocência, daí sua característica infantil.

    Os Caboclos – onde se incluem os Boiadeiros, Caboclos e Caboclas, representam a força, a coragem, portanto apresentam a forma do adulto, do herói, do guerreiro, do índio ou soldado.

    Os Pretos Velhos – incluem os Tios e Tias, Pais e Mães, Avôs e Avós todos com a forma do idoso, do senhor de idade, do escravo. Sua forma idosa representa a sabedoria, o conhecimento, a fé. A sua característica de ex-escravo passa a simplicidade, a humildade, a benevolência e a crença no “poder maior”, no Divino.

A grande maioria dos terreiros de Umbanda, assim também suas entidades possuem a fé Cristã, ou seja, acreditam e cultuam Jesus (Oxalá).

A grande maioria dos terreiros de Umbanda, assim também suas entidades possuem a fé Cristã, ou seja, acreditam e cultuam Jesus (Oxalá). Entidades aqui tomada no sentido de espíritos que auxiliam aos encarnados, o mesmo que guia de luz.

A característica desta linha seria o conselho, a orientação aos consulentes devido a elevação espiritual de tais entidades, são como psicólogos, receitam auxílios, remédios e tratamentos caseiros para os males do corpo e da alma.

Os Pretos Velhos seriam as entidades mais conhecidas nacionalmente, mesmo por leigos que só ouviram falar destas religiões Afro-Brasileiras. O Preto Velho é lembrado também pelo instrumento que normalmente utiliza – o cachimbo.

Os nomes de alguns Pretos Velhos comuns de que se tem notícia são Pai João, Pai Joaquim de angola, Pai José de Angola, Pai Francisco,Vovó Maria conga, Vovó Catarina. [1]Pai Jacó], [2]Pai Benedito], Pai Anastácio, Pai Jorge, Pai Luis, Mãe Maria, Mãe Cambina, Mãe Sete Serras, Mãe Cristina, Mãe Mariana, Maria Conga, Vovó Rita e etc.

Na Umbanda os Pretos Velhos são homenageados no dia 13 de maio, data que foi assinada a Lei Áurea, a abolição da escravatura.

Os pontos servem para saudar a presença das entidades, diferentemente do que geralmente se pensa, não foram feitos para chamar, mas sim para agradecer a presença, como um “Olá”.

Pontos de preto velho:

Saudação dos Pretos Velhos quando iniciada uma gira

Bate tambor lá na Angola, bate tambor Bate tambor lá na Angola, bate tambor… Bate tambor, Pai Joaquim*… Bate tambor, Maria Conga*… Bate tambor, Pai Mané*… (* coloca-se o nome dos pretos velhos da casa)

Eu andava perambulando, sem ter nada p’ra comer Fui pedir as Santas Almas Para vir me socorrer Foi as Almas que me ajudou Foi as almas que me ajudou Meu Divino Espírito Santo Glória Deus, Nosso Senhor Nessa casa tem quatro cantos Cada canto tem um santo Pai e filho, Espírito Santo Nessa casa tem 4 cantos…

Quem vem, que vem lá de tão longe? São os pretos velhos que vem trabalhar Quem vem, que vem lá de tão longe? São os pretos velhos que vem trabalhar Ô da-me forças pelo amor de Deus, meu pai Ô da-me forças pros trabalhos teus

Zum zum zum Olha só Jesus quem é Eu rezo para santas almas Inimigo cai Eu fico de pé

O preto por ser preto Não merece ingratidão O preto fica branco Na outra encarnação No tempo da escravidão Como o senhor me batia Eu chamava por Nossa Senhora, Meu Deus! Como as pancadas doíam

Tira o cipó do caminho, oi criança Deixa a vovó atravessar Tira o cipó do caminho, oi criança Deixa a vovó atravessar

A bença Vovô Quando precisar lhe chamo A bença Vovô Quando precisar lhe chamo Zambi lhe trouxe, Zambi vai lhe levar Agradeço a toalha de renda de chita de pai Oxalá

Vovô já vai, já vai pra Aruanda… Abença meu pai, proteção pra nossa banda

Pontos de Pretos Velhos:

Negro está molhado de suor, mas tá feliz porque Deus o libertou(bis);

Ô sinhá sinha, segura a chibata não deixa bater, faz uma prece prá negro morrer, negro não quer mais sofrer(bis);

Ponto p/firmar a gira: Viva Deus, viva a Gloria, viva o rosário de nossa Senhora(bis);

Ponto para benzimentos: Pai João d”angola com sua ternura, sentado no tronco ele benze as criaturas(bis), a estrela de Oxalá seu ponto iluminou, ele é Pai João d”angola ele é nosso protetor;

Ponto de subida de pretos velhos: Já vai pretos velhos subindo pro céu e nossa senhora cobrindo com véu(bis).

A linha de Preto Velho, na Umbanda, são entidades que se apresentam esteriotipados como anciãos negros conhecedores profundos da magia Divina e manipulação de ervas, o qual aplicam frequentemente em sua atuação na Umbanda, porém no Candomblé são considerados Eguns.

Crê-se que em referência à dor e aflição sofrida pelo povo negro (período de trevas no território brasileiro), a linha de preto velho reflete a humildade, a paciência e a perseverança característica da atuação da linha nominada de Yorima, cujo apresenta-se de pés no chão, cachimbo de barro bem rústico, quando não cigarro de palha, café, e um fio de contas de rosários (Lágrima de Nossa Senhora) e cruzes, figas e breves os quais utilizam magisticamente em sua atuação astral.

Os pretos velhos apresentam-se com nomes de individualizam sua atuação, conforme nação ou orixá regente, evidenciando sua atuação propriamente dita.

Os nomes comumente usados são:

    Pai Agostinho;
    Pai Joaquim;
    Pai Francisco;
    Pai Maneco;
    Pai João;
    Pai José;
    Pai Mané;
    Pai Antônio;
    Pai Roberto;
    Pai Cipriano;
    Pai Tomaz;
    Pai Jobim;
    Pai Roberto;
    Pai Guiné;
    Pai Jacó;
    Pai Cambinda;
    Pai Benedito;
    Pai Joaquim;
    Pai Ambrósio;
    Pai Fabrício;
    Tio Antônio;
    Vô Benedito;
    Velho Liberato

etc…

ou femininos:

    Vó Cambinda;
    Vó Bibiana;
    Vó Cecília;
    Vó Irina;
    Vó Maria Conga;
    Vó Catarina;
    Vó Ana;
    Vó Sabina;
    Vó Quitéria;
    Vó Benedita;
    Vó Iriquirita;
    Vó Leopondina;
    Vó Filomena;
    Vó Joana;
    Vó Joaquina;
    Vó Rita;
    Vó Mariana;
    Vó Guilhermina;
    Mãe Benta;
    Mãe Maria;

etc…

Em sua linha de atuação eles apresentam-se pelos seguintes codinomes, conforme acontecia na época da escravidão, onde os negros eram nominados de acordo com a região de onde vieram:

    Congo_ Ex: (Pai Francisco do Congo), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Iansã;
    Aruanda_ Ex: (Pai Francisco de Aruanda), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Oxalá. (OBS: Aruanda quer dizer céu);
    D´Angola_ Ex: (Pai Francisco D´Angola), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Ogum;
    Matas_ Ex: (Pai Francisco das Matas), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Oxóssi;
    Calunga, Cemitério ou das Almas_ Ex: (Pai Francisco da Calunga, Pai Francisco do Cemitério ou Pai Francisco das Almas), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Omolu/ Obaluayê;

Entre diversas outras nominações tais como: _Guiné, Moçambique, da Serra, da Bahia, etc…

Muitos Pretos Velhos podem apresentar-se como Tio, Tia, Pai, Mãe, Vó ou Vô, porém todos são Pretos Velhos. Na gira eles só comem o que for feito de milho como por exemplo:

    Bolo de milho, pamonha, cural e etc.

    “AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO”.

Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, fumando o seu cachimbo um triste Preto Velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pela face e… Foram sete.

A Primeira… A estes indiferentes que vem no Terreiro em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber;

A Segunda… A esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam;

A Terceira… Aos maus, aqueles que somente procuram a umbanda em busca de vingança, desejando sempre prejudicar ao semelhante;

A Quarta… Aos frios e calculistas, que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma, e não conhecem a palavra gratidão;

A Quinta… Chega suave, tem o sorriso, o elogio da flor dos lábios, mas se olharem bem seu semblantes verão escrito: creio na Umbanda, nos teus Caboclos e no teu Zambi, mas somente se resolverem o meu caso ou me curarem disto ou daquilo;

A Sexta… Aos fúteis, que vão de centro em centro, não acreditando em nada, buscam aconchego, conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente;

A Sétima… Como foi grande e como deslizou pesada! Foi à última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Aos médiuns vaidosos (as), que só aparecem no Centro em dia de festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo material e espiritual.





A Falange dos Pretos-Velhos


A Falange dos Pretos-Velhos, tão querida dentro da Umbanda e, talvez, a que melhor a represente, tem como característica principal a humildade em seus trabalhos. São seres que, apesar do altíssimo grau de espiritualidade, curvam-se diante de nós, em profundo ato de humildade e respeito. São considerados grandes Magos e são capazes de realizar muitos trabalhos envolvendo a cura. Entendem, como ninguém, a carência dos seres humanos, sua necessidade de ter um colo amigo onde possam chorar suas mágoas e tristezas. É com os Pretos-Velhos que a Umbanda se manifesta em toda a sua grandeza, pois foram estes mesmos “velhos” que a fizeram renascer em nossas terras.

Reverenciados como as Almas Santas, Sagradas e Benditas, assumem um domínio por todo o campo astral. Assim, questões emocionais envolvendo, por exemplo, família e relacionamentos, ou ainda, superação de dificuldades emocionais como a morte de um ente querido são bem compreendidas por estes seres. É a eles que apelamos para guiar as almas desencarnadas em seu caminho até o plano divino e são eles que assumem a difícil função de receber e reconfortar aqueles que se acham nas trevas e na ignorância, em nosso plano físico ou mesmo já no plano astral.

O trabalho dessa Falange está direcionado, em sentido amplo, para a sutilização desse plano astral de nosso planeta Terra. Explicando melhor, esse plano, com todas as nossas práticas danosas de desrespeito à Mãe Natureza, vem, a cada dia, sendo marcado com uma energia prejudicial ao nosso desenvolvimento espiritual. Além disto, todo e qualquer pensamento de desamor, mágoa, ciúme, ódio e todos os maus sentimentos que guardamos em nosso peito, contribuem para a formação dessas energias nesse plano, que geram, como reflexo, uma grande influência nos corpos astrais de todos aqueles que habitam nosso planeta. O derramamento de sangue pelas guerras horrendas contribui, em muito, para aumentar, ainda mais, a densificação desse plano tão importante para nosso desenvolvimento espiritual.

São estes queridos Pretos-Velhos os grandes guardiões do Astral. São eles que nos protegem em todos os trabalhos de magia. São eles que velam pelas milhares de almas que, a cada dia, deixam o corpo de carne para despertarem no plano astral. São eles, enfim, que tanto ajudam no processo de sutilização deste plano tanto no sentido amplo, englobando todo nosso planeta, como no sentido estrito, ou seja, tomando cada um de nós em seu colo e acalmando nossas emoções no momento em que mais precisamos. Enquanto houver uma energia que seja maculando este Mundo Astral, ali haverá, com certeza, um Preto-Velho a cuidar para que esta mácula seja retirada, sutilizando-a no Amor Universal e Incondicional. Exemplo claro dessa dedicação pode ser visto na prece conhecida como “As sete lágrimas de um preto-velho”, modelo modificado do original exposto por Matta e Silva chamado então “As sete lágrimas do Pai-preto”1.

É através do negro escravo, dentro das senzalas brasileiras, que o culto aos Orixás ganha força. Mais tarde, esse culto iria ganhar identidade própria e, deixando-se influenciar pelas mais diversas Tradições, iria surgir com uma nova ritualística, onde a cultura do negro, do branco, do índio e do oriental se manifestariam na mais perfeita harmonia, sem que uma pudesse sobrepujar a outra, todas coexistindo de forma a oferecer mais um caminho para o despertar humano.

Foi na humildade do negro, que se inicia todo este processo de resgate, que a Umbanda encontra seu maior alicerce. Assim poderíamos definir esta grande Falange: através da humildade de seus integrantes. São eles que se curvam perante o ser humano já tão cansado com seus problemas cotidianos, mostrando que sempre haverá de brilhar a luz da esperança no coração de almas tão calejadas por qualquer tipo de sofrimento.

Na incorporação, esses grandes seres curvam o corpo do médium, em uma tentativa de aproximar, o máximo que puderem, o chakra raiz do médium, localizado na região do esfíncter, com o chakra frontal, localizado entre as sobrancelhas, unindo, desta forma, a energia da Mãe Terra com a força da mente do Homem superior. Essas duas energias unidas levam o processo mágico ao seu ponto de aproveitamento total.

O trabalho dessa Falange está revestido pelo grande amor que dedicam ao nosso planeta e à nossa humanidade. Quem, tendo tido a maravilhosa experiência de estar em frente a um Preto-Velho, não haveria de se lembrar do carinho e do afago que jamais saem de nossa lembrança. E esses seres, grandes Magos que são, humildemente se curvam perante nós, nos ensinando que somente pela humildade pode a Divindade ser despertada em nossos corações.





FIRMEZA DE PRETO VELHO NO CEMITÉRIO.



FIRMEZA DE PRETO VELHO NO CEMITÉRIO.

Muitos médiuns e dirigentes de Umbanda acreditam que basta incorporar seus guias para que eles comecem a trabalhar no atendimento às pessoas que vão aos centros em busca de auxilio.

Mas isto não é verdade e antes de um medium começar a dar atendimento ele deve firmar seus guias nos seus campos de atuação, sob a irradiação dos orixás que os regem e sustentam seus trabalhos.

Mesmo que um medium já esteja incorporando muito bem seus guias, ainda assim é preciso que ele firme todos os seus guias antes de começar a dar passes e consultas, e em hipótese alguma deve deixar para depois estes procedimento básicos e indispensáveis a um bom trabalho de atendimento às pessoas necessitadas.

Sim! Sem estar com todas as suas forças espirituais muito bem identificadas e firmadas em seus campos vibratórios, de já terem seus colares ou guias de trabalho cruzadas e consagradas, de já terem riscado seus pontos de firmeza, não se deve permitir a um medium novo que dê atendimento às pessoas dentro de um centro.

E isto, por duas razões:

1ª- Só com as forças devidamente firmadas elas poderão fazer um bom trabalho para os necessitados, por que contarão com a cobertura dos orixás que regem o campo em que atuam.

2ª- Só com suas forças espirituais bem firmadas um medium pode mexer com certas forças que entram com as pessoas que precisam ser ajudadas.

Se dou esse alerta é porque já estou cansado de ver medium ficar 1, 2, 3 anos frequentando os centros, girando e ajudando os trabalhos sem que tenham ido à natureza firmar corretamente as suas forças espirituais, que querem trabalhar, mas não podem mexer com coisas pesadas porque seus mediuns não têm o preparo necessário.

Durante o desenvolvimento, sem pressa e só após o guia se identificar, é dever, é obrigação de o medium firma-lo em seu campo vibratório na natureza, e fazer bem feita essa firmeza, dando ao guia os recursos necessários para que ele tenha meios de ajudar as pessoas necessitadas.

Mas não adianta ‘só ir à natureza e dar uma oferenda ao guia que tudo estará resolvido.

Não mesmo!

É preciso que a firmeza seja feita dentro de certos procedimentos para que tenha validade.

Procedimentos para firmar a força de um Preto Velho (a) no Campo Santo:

1º - Adquirir todos os elementos necessários: --(comidas e bebidas de preto velho), velas e flores de crisântemos brancos.

Comidas: bolo de fubá, arroz doce, canjica, pipocas estouradas e sem sal.

Bebidas: Café, agua, vinho licoroso branco, agua de côco, Sempre em acordo com o que ele pedir ou intuir ao seu medium.

Velas: - 7 velas brancas para o circulo da oferenda.

Mais uma vela branca para o Pai Obaluaiê, 1 vermelha para o Pai Ogum Megê, 1 amarela para a Mãe Iansã que deverão ser acesas em triangulo, (antes de se fazer a oferenda ao Preto Velho), na frente do cruzeiro das almas, e dentro dele o medium deve colocar uma vela branca para si e pedir a benção e a proteção destes orixás.

2º - Após firmar os orixás em triangulo o medium os saúda, pede-lhes a benção e a proteção. Depois pede licença para firmar seu Preto Velho no Campo Santo.

3º - Depois recua 7 passos largos para traz dando o primeiro com o pé direito e, no sétimo. Ajoelha, cruza o solo com a mão direita, saúda seu Preto Velho ou sua Preta Velha, e lhe pede licença para firmar ali, diante do Cruzeiro das Almas, a sua força.

4º - A seguir pega os elementos e começa a fazer a firmeza: - acende as velas brancas em circulo, coloca um pedaço de pana branco sobre o solo e deposita em cima dele um alguidar ou um prato de papelão com as pipocas, cruza-as com o mel; a seguir coloca os ramos de crisântemos brancos entre as velas, e com as flores viradas para o lado de fora do circulo de velas; a seguir coloca as comidas e as bebidas ao redor do alguidar, com cada um dos elementos acondicionado dentro de um recipiente adequado e biodegradável. (Os vasilhames usados para leva-los devem ser recolhidos pelo medium).

5º – Após fazer a firmeza o medium deve cantar pontos ao seu Preto Velho (a) ou fazer uma oração, pedindo lhe que firme suas forças no Campo Santo, para que possa, já firmado, incorporar no Centro e fazer a caridade espiritual ajudando os necessitados.

6º - Caso o Preto Velho incorpore, o cambone ou a pessoas que esta acompanhando deve atendê-lo, conversar com ele e servi-lo com o que ele pedir.

7º - Depois, o médium dever pedir a benção e o axé dele, dar 7 passos para traz e se retirar.

Obs.: O médium deve pedir licença na porteira para entrar e para sair do Campo Santo e sua firmeza deve ser feita com respeito, reverencia e muito amor no coração, pais é um ritual sagrado de Umbanda essa firmeza de forças e, assim como ele é necessário, ele também trará inúmeros benefícios para o médium que o fizer.





Oferendas a Pretos Velhos



Oferendas a Pretos Velhos

Arroz Doce

Ingredientes:

    2 xícaras (de chá) de arroz
    1 litro de leite
    2 xícaras (de chá) de açucar refinado
    1 quartinha de barro (pode ser uma caneca de ágata)
    1 garrafa de vinho tinto seco
    1 alguidar de barro (pode ser uma tigela de ágata)

Modo de Preparo:

Cozinhe o arroz, já lavado, em 1 litro de leite com o açúcar por aproximadamente uma hora, mexendo de vez em quando até o leite estar quase seco e grosso.  Coloque no alguidar e espere esfriar.

Bolo de Fubá

Ingredientes:

    1 xícara (de chá) de fubá
    1 xícara (de chá) de farinha de trigo
    1 xícara (de chá) de açúcar
    1 xícara (de chá) de leite
    4 colheres (de sopa) de banha ou manteiga
    1 ½ (uma e meia) colher (de sopa) de pó Royal
    ½ (meia) colher (de chá) de sal
    1 colher (de sopa) de erva-doce
    2 ovos
    1 prato de barro
    Café já coado e sem açúcar
    1 caneca de ágata

Modo de Preparo:

Em um recipiente separado, misture o fubá, o açúcar, a farinha de trigo, a erva-doce e o sal.

Em outro recipiente, misture os ovos ligeiramente batidos, o leite e agordura derretida.

Acrescente, aos poucos, os ingredientes líquidos aos secos, misturando bem até obter uma massa homogênea.

Despeje em uma forma redonda untada com banha ou manteiga.

Asse em forno quente por 40 minutos.

Desenforme depois de frio e coloque no prato de barro.
Farofa de Carne Seca

Eventualmente, com a aprovação da entidade, pode-se fazer uma oferenda mais quente aos Pretos Velhos.  Eu mesmo já ví várias vezes no Santuário da Umbanda, feijoada ofertada aos Pretos Velhos.  Nós da casa de Pai Joaquim, gostamos de oferecer esta farofa de carne seca:

Ingredientes:

    ½ (meio) quilo de carne seca
    Azeite de dendê
    1 cebola grande, picada
    farinha de mandioca crua
    7 pimentas vermelhas picadas
    1 alguidar
    1 garrafa de vinho tinto seco
    1 quartinha de barro (pode ser uma caneca de ágata)

Modo de Preparo:

Deixe a carne seca de molho por uma noite (troque a água 3 vezes).

Troque novamente a água e afervente-a por 15 minutos em panela de pressão.

Deixe esfriar e desfie a carne.

Numa panela de tamanho médio, aqueça o azeite-de-dendê, doure a cebola e as pimentas picadas.

Acrescente a carne seca e refogue até dourar.

Vá acrescentando a farinha mexendo sempre até adquirir a consistência desejada.

Retire do fogo, coloque no alguidar e espere esfriar.






O QUE É MIRONGA??



O QUE É MIRONGA??
Mironga é como chamamos a “magia” de preto-velho, a mandinga dos espíritos que se apresentam como negros idosos e sábios para ajudar os filhos que os procuram.

Aqui vão algumas mirongas que essa nega véia tem a ensinar para resolver as dificuldades do coração, muito comum nos queixumes e pedidos de auxílio dos filhos da Terra.

Leia tudo com muita atenção e principalmente, aplique isso no seu dia-dia.

1 – Aprenda a viver sozinho. Caso vc não consiga nem viver consigo mesmo, como poderá levar felicidade e alegria para outra pessoa? Primeiro relacione-se com seu eu interior. Depois busque alguém.

2 – Assuma a responsabilidade pelo seu relacionamento. Não é magia, inveja, ciúmes de terceiros, etc, que irá separar aquilo que o amor uniu.

3 – É claro que também nenhuma simpatia, reza ou trabalho irá unir ou “amarrar” aquilo que a falta de carinho desuniu.

4 – Simplificando: quem procura as coisas ocultas para resolver problemas sentimentais é imaturo. Ruim do juízo e doente do coração.

5 – Desapegue-se! Porque o amor é um sentimento livre. Um eterno querer bem. Um carinho incondicional. Quase um sentimento de devoção. Se vc “gosta” tanto de alguém, que prefere ele “morto” do que feliz com outra pessoa, escute: Isso não é amor! Simples ilusão disfarçando o egoísmo…

6 – Aprenda que ninguém irá te completar. Você já é completo! Mas quando um relacionamento é calcado no mais puro amor, muito do amado vive no amante, e muito do amante pra sempre viverá no amado. Quer milagre maior que esse?

7 – Melhor sozinho do que mal acompanhado! Sabedoria popular, mas o que têm de doutor e doutora que não consegue entender isso.

8 – Ponha o pé no chão e esqueça essa história de alma gêmea. Pare de enfeitar suas próprias desilusões com devaneios ditos espiritualistas. Encare a realidade de frente.

9 – A vida vai passando, com ele/a, ou sem ele/a. E a morte se aproximando…

10 – Por isso, vão viver a vida meus filhos! Quem sabe ela não está guardando um presente para vocês? Não existe mironga maior que essa!

Vó Dita








  Para seu lar

Meu DEUS! Abençoe esta casa, não deixe nenhum mal entrar.  Afaste as coisas ruins, venha conosco ficar.  Minha alma Te pertence, só a Ti posso entregar Prometo do fundo de minha alma, só por Tua Lei me guiar.

Penso em Ti todo instante, estás acima de tudo.  Pelo Amor que Te tenho, é que eu vivo nesse mundo.  Ilumine minha casa, nunca deixe no escuro.  A de minha mãe e meu pai, de meus irmãos e de todos.

Abençoe cada quarto, sala e cozinha.  Abençoe todo teto, paredes e escadarias.  Abençoe onde piso, abençoe todo dia.  Abençoe esta casa, como a de José e Maria.

Faça tudo espiritualmente, traga paz e alegria.  Afaste todo tristeza, fique em nossa companhia.  Dê a todos Fé e Amor, e Humildade toda vida.  Dê a todos que precisam, Consciência Divina.

Faça na casa de meus pais, como fizeste no Rio Jordão.  Com a água Pura e Santa, abençoaste João.  Faça com todos teus filhos, e com todos meus irmãos.  Ponha Luz em todas casas, acabe com a escuridão.

Use todo TEU PODER, cuide sempre desse lar.  Faça que todos se unam, e possam sempre se amar.  Não esqueça um só dia, de vir nos visitar.  Sente conosco na mesa, quando formos nos alimentar.

DEUS de Amor meu Pai Eterno, jamais esqueça de nós.  Ajude em todas as casas, crianças, pais e avós.  Aceite o meu pedido, eu confio em Vós.  Não deixe ninguém sofrer, nunca nos deixe a sós.

Abençoe esta casa, como abençoaste tudo aqui.  Prometo de coração, sete vezes repetir.  Meu DEUS, eu Te amo, vivo somente para Ti.  Tua Lei e Mandamentos, sempre hei de seguir.

 – Espírito de Luz.  Psicografada por Rui Souza.








  Oração para preto velho!


preto velho

MINHAS HOMENAGENS AO POVO DE ARUANDA.
SARAVA! SALVE! SARAVA! SALVE TODO POVO DE ARUANDA! SALVE A FALANGE DOS PRETOS VELHOS!
OXALÁ DERRAME SOBRE ESTE POVO AS SUAS BENÇÃOS!
SALVE 13 DE MAIO!
NEM TODO BRANCO É BRANCO, NEM TODO PRETO É PRETO E NEM TODO VELHO É VELHO!
ESTA É A VERDADE DA UMBANDA, LEIAM E PENSEM; LEVEI 40 ANOS PARA SABER SOBRE ESTE SINCRETISMO, HÁ SIM MUITA SABEDORIA!

AMAI-VOS UNS AOS OUTROS E INSTRUÍ-VOS
ESTE FOI O MANDAMENTO DO NOSSO MESTRE JESUS .


ORAÇÃO DOS PRETOS VELHOS
“Senhor, Nosso Pai, que sois o Poder, a Bondade, a Misericórdia, olhai por aqueles que acreditam em Vós e esperam por vossa bondade, poder e misericórdia. Dá Pai, aos que vacilam ao Vosso Poder, na Vossa Misericórdia e Bondade, a clareza de pensamento e abri-lhes, Senhor, os olhos para que pratiquem sempre o bem, a caridade para com os outros dentro da humildade de Vossa Sabedoria, reconhecendo assim a Vossa Existência, Poder e Misericórdia, bem assim, o Vosso Reino. Senhor, perdoa aqueles que a escuridão ainda não deixou ver os erros cometidos na sua passagem terrena. Dá, Senhor, a eles que sofrem a luz de Seu imenso Amor e da Sua Sabedoria. Que a sua luz nos ilumine neste mundo e em outros que ainda desconhecemos, e em todos os lugares por onde passarmos nos proteja. Oh ! Meu Pai Santíssimo !! A nós pecadores, aceita o nosso arrependimento dos erros que temos cometido. Pai, pela sua sagrada bondade e paixão, consenti que caminhe até vós pelo caminho da perfeição. Dá Senhor, orientação perfeita no caminho da virtude, único caminho pelo qual devemos trilhar. Misericórdia aos nossos inimigos. Perdão a todos os nossos erros, e que Vossa Bondade não nos falte hoje e sempre…
Amém”.
GRAÇAS A DEUS!









Explicação sobre as Preces de Abertura

Todo trabalho mágico requer uma preparação. A invocação das Forças não se faz da mesma forma que chamamos a uma pessoa.  É preciso que utilizemos as palavras adequadas para invocar a Egrégora que se deseja. Quando invocamos uma determinada Força, temos que ter em nossa mente que é preciso lhe oferecer “assento”. Fazendo uma analogia, quando convidamos uma pessoa à nossa casa, é necessário e educado que lhe ofereçamos acomodações adequadas, a fim de não deixá-la mal acomodada, obrigando-a a partir antes da hora prevista e deixando-a impaciente pelas acomodações inadequadas.

Da mesma forma, quando iniciamos um trabalho mágico, é preciso que todas as Forças envolvidas na magia encontrem seu “assento”. Este assento será o responsável pelo sucesso de todo o trabalho.

Em Magia denominamos este assento de assentamento das Forças a serem invocadas. É, sem dúvida o momento mais importante  para o sucesso dos objetivos a serem alcançados.

Cabe esclarecer que todas estas preces têm  um caráter exotérico e não esotérico, ou seja, são preces feitas para a participação do público. Outras preces existem para trabalhos velados de magia.

A seguir a explicação das bases para o assentamento das Forças invocadas no processo mágico do Templo do Vale do Sol e da Lua.

1) Saudação à Umbanda e a todos os Orixás
Como o ritual dos trabalhos está baseado  na Umbanda, iniciam-se as preces pela saudação à Umbanda e a todos os seus Orixás com os mantras característicos, oriundos na língua dos povos Yorubás.

Os mantras são invocados em seu original em yorubá, a fim de preservar a força mântrica, pois a tradução para o português reduziria, e muito, a força invocatória.

Como ilustração, lembramos a grande perda da força no ritual católico quando é abolida a língua latina. Os mantras devem ser preservados na sua língua de origem, pois ali reside a grande força.

2) Introdutória
Uma pequena prece inicia fazendo menção ao motivo pelo qual estamos reunidos. É a abertura da “janela” do mundo astral. O  Assim Seja! substitui o Amém, originado no Egito Antigo, da palavra do Deus Amon, o Oculto.

3) Oração a São Francisco de Assis (ou Mestre Kut Humi, ocupando o cargo de Instrutor do Mundo na Hierarquia espiritual)
É o paraninfo do Templo do Vale do Sol e da Lua. É uma espécie de padrinho, que em qualquer momento está pronto a estender suas bênçãos sobre nossos trabalhos.

4) Saudações Aqui é o momento mais importante em toda a prece
É aqui que iremos invocar as Forças envolvidas na Magia. Inicia-se pela invocação de Melkezedeque, o responsável por toda a humanidade. Aquele que vela por todos nós. Melkezedeque é também conhecido por Sanati Kumara, o maior de todos os Kumaras, seres venuzianos,  dos quais Lúcifer, o portador da Luz, faz parte.

Em seguida, fazemos a invocação do Senhor do Mundo, grau imediatamente abaixo na hierarquia espiritual, ocupado, atualmente, pelo Grande Avatar Gautama que veio a tornar-se um Buddha.

A saudação ao Mestre Saint Germain, Chohan (palavra sânscrita que designa Mestre) do Sétimo Raio e dirigente da  Luz Violeta para o mundo é feita a seguir, uma vez que, nenhum trabalho de Magia deve ser realizado sem a invocação deste Mestre, considerado o Senhor da Magia, regente da Luz Violeta (o mesmo que Chama Violeta e o mesmo que a Força de Omulu) para nosso planeta. Como o Sétimo Raio, ou a Sétima Força é a regente da Magia, a invocação deste Mestre é necessária. O Raio Violeta, ou Omulu é o grande poder de transformação. Omulu é o Orixá da transformação, oriundo no néther egípcio Anúbis, o deus da transformação e do embalsamamento. Todo trabalho mágico, em última análise, requer a transformação de alguma coisa em outra. Quando invocamos o Mestre e não a Força somente, estamos aceitando nossa incapacidade de discernir entre o certo e o errado. Nossa visão parcial do mundo não nos permite fazer julgamentos. Somente um ser na condição de um Mestre pode realizar tal julgamento sobre o que pode e o que não pode ser feito.

O Raio Violeta, através de seu poder de transformação, é invocado a fim de que realize a maior de todas as transformações em um trabalho de Magia, qual seja, a transformação de nosso Ego pessoal em nosso Eu Superior.

Em outras palavras, a transmutação de nossa personalidade, com todos os nossos desejos e instintos, na mais pura ligação com as coisas divinas. É a própria exposição do coração do Mestre Jesus.

A seguir são feitas as invocações da Hierarquia Angelical e da Hierarquia Elemental. Lembrando que são três as Hierarquias que compõem nosso Sistema Solar: Hominal, Angelical e Elemental, ou em outras palavras, dos homens, dos anjos e dos elementais (da terra, da água, do ar e do fogo). Estas três Hierarquias são saudadas. A Hominal, na figura do Mestre Saint Germain. Correspondendo ao Raio da Magia, fazemos a invocação do Arcanjo Ezequiel, dirigente deste Raio, pela hierarquia Angelical e do Elohim Arcturos, dirigente deste raio pela hierarquia Elemental.

Quando utilizamos as palavras “eu vos amo e vos abençôo” significa que, naquele momento, o dirigente, através de seu Eu Superior, faz a saudação àqueles seres. Não é uma saudação feita de um ego comum para  uma divindade. É uma saudação feita do Deus que existe em mim para o Deus que está em vós. O restante da frase está bastante claro. O agradecimento, assim como os pedidos, são feitos sempre para mim e para toda a humanidade, pois assim, estaremos realizando a verdadeira Magia Branca, altruísta e não a Magia Negra egoísta.

Sempre as palavras Assim Seja tem o significado no Amém que tem sua origem no deus Amom egípcio, conhecido como Aquele que está oculto.

A seguir vem a saudação a toda a Hierarquia Elemental. Esta Hierarquia tem uma saudação especial nas preces, uma vez que é a Hierarquia responsável pelos meios necessários a todo o trabalho mágico. Eles colocam todo o “material” necessário à consecução da magia. Fazendo uma analogia, não importa que tenhamos uma excelente cozinheira e um excelente fogão. Sem a matéria prima, que são os alimentos, nada pode ser feito. Nesta invocação percebe-se, novamente, uma certa dose de autoritarismo. Em Magia a palavra deve ser forte  o suficiente para mostrar nossos propósitos sinceros de ajudar o próximo. Sempre é feito o pedido. Porém, caso percebam que nossos propósitos não condizem com os propósitos de elevação de toda a humanidade, com certeza, não virão em nosso amparo.

Quando é dito que Sua Força haverá de nos trazer o crescimento, auxílio e proteção, devemos, por outro lado, dizer o que pode ser feito caso não cumpramos nossa promessa. Como estes seres só trabalham para o crescimento da humanidade, devemos fazer um pacto de compromisso, para quando não cumprirmos com as promessas. Devemos oferecer nossa própria vida quando não cumprirmos o pacto. Daí as palavras “que desabe sobre mim”. Estas palavras são ditas somente pelo oficiante e não por todos.

São realizadas as invocações dos seres referentes aos quatro elementos: Gnomos, do elemento Terra, Djin, do elemento Fogo, Paralda, do elemento Ar e Nicksa, do elemento Água. Estes Reis ocupam um lugar especial nesta Hierarquia Elemental.

A partir daqui serão realizadas as invocações referentes ao dia e a época em que a magia está sendo realizada. O ano é dividido em quatro estações. São os quatro grandes momentos mágicos. Cada estação tem um nome mágico, oriundo da Kabalah, que vem a ser uma das duas grandes Escolas de Magia, sendo a outra a Oriental. Como estamos no Ocidente, utilizamos a magia kabalística, fonte de todas as artes mágicas. A Kabalah tem a sua origem no Egito Antigo, berço de Moisés, criado pelos sacerdotes egípcios.

O ano é dividido em vários períodos governados, cada um, por uma Potência Angelical. Iniciamos pela invocação do Arcanjo responsável pelo período e da época do ano. Cada época tem os Anjos responsáveis. A seguir é realizada a invocação  do Chefe do Signo. Este Senhor é o responsável pelo escudo representativo da estação do ano em que nos encontramos.

Agora virão as saudações pelo dia em que a magia se realiza. Inicia-se pela saudação a Ezequiel, da Hierarquia Angelical, Senhor de Saturno, uma vez que nossos trabalhos são realizados no sábado, dia consagrado a Saturno. Depois o Arcanjo regente da hora em que os trabalhos se iniciam, pois que cada hora é regida por uma Força e a cada Força um Arcanjo correspondente.

Depois a saudação a outras Forças, igualmente importantes nos trabalhos de Magia. Por último, porém não menos importante, os Gênios tutelares do dia, no caso o sábado.

5) Prece de Cáritas
A Prece de Cáritas é aqui inserida por dois motivos. O primeiro, é uma forma de abrandar um pouco todas as invocações realizadas. Ou melhor, é uma forma de “jogar” um pouco de água a tanto fogo invocado. Segundo, é, talvez, a mais conhecida de todas as orações não-católicas de nosso mundo tão influenciado pela Tradição Católica.

6) Prece Pessoal
Aqui fazemos a invocação de todas as falanges da Umbanda, ressaltando a importância do Povo Trabalhador (Falange de Exu)  que dá a sustentação necessária a todo o trabalho. É realizado um pequeno movimento com as mãos, mostrando a natureza telúrica desta grande Falange.

7) Prece ao Caboclo do Sol e da Lua
Aqui é feita, através de Sua prece, a invocação do Guia Mentor da Casa onde se realizam os trabalhos.

8 ) Prece dos Médiuns
Aqui é lembrado, através desta prece, a importante missão dos médiuns na Umbanda. Na maioria das vezes esquecem-se do caráter sacerdotal que tem um médium, julgando serem simples medianeiros entre os “deuses” e os homens.

9) Saudação Final
Finalmente, com a invocação do Arcanjo Miguel, de nome místico Michael e utilizando-se do Seu mantra, estamos colocando em Suas mãos o destino de nossa Magia. Michael é o nosso grande guardião kármico. É Ele que eleva nosso eu inferior em contato com as grandes Potências.

A seguir vem a saudação da Grande Hirarquia Espiritual do nosso Planetal que engloba todos os seres que, independente de credo, cor, religião ou qualquer outra qualidade distintiva da embotada mente humana, trabalha na elevação de nosso planeta e de nossas mentes ao encontro do Grande Criador.

10) Pontos de Abertura
Característicos da Umbanda e de seu ritual.











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Quem é Ogum?


"É o Orixá Senhor das contendas, deus da guerra.
Seu nome, traduzido para o português, significa luta, briga, batalha. É a divindade da metalurgia, do ferro, aço e outros metais fortes.
Ogum é a força incontrolável e dominadora, do movimento, do choque. Patriarca dos exércitos, dono das armas. Ogum é o poder do sangue que corre nas veias. Orixá da manutenção da vida.
Homenagem a Ogum.



Ogum
e o pai que nunca deixa um filho sem resposta"
" Ogum abênçoa os filhos e os filhos de seus filhos. " . "Eu não seria nada se não fosse Ogum para abrir a minha Estrada." Salve meu Pai Ogum, Axê patacori Ogum.


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